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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

estaremos enviando um técnico para desentupir seu encanamento, senhora

Eu liguei pra agendar um técnico pra desentupir o encanamento ou o ralo do banheiro ou tudo porque reformaram meu apartamento e fizeram de um jeito que já vi brócolis que entrou pelo ralo da pia da cozinha e foi parar no box do banheiro. Desde terça as mocinhas que avisam que o que tá no sistema é isso, senhora e que a base informou que não vai poder estar fazendo o procedimento neste horário, senhora e que precisa ter alguém em casa, senhora, senão não podemos concluir seu atendimento com sucesso, senhora estão reagendando o atendimento com uma máquina que a grafia desconheço mas lê-se róto-ruter para melhor te atender, senhora. Ligo e digo que o atendente está atrasado e a mocinha nº 239 (deve ter sido a 5ª com que falei já) diz que ele teve contratempos e não pode chegar no local, senhora, mas que em cerca de 20min ele estará aí para melhor lhe atender, senhora. Não, eu não posso esperar mais. Reagendamos para o final do dia, senhora, confirmado das 19h às 21h, senhora? Falta meia hora pras 19h e recebo uma mensagem dizendo que seu pedido foi agendado para o próximo dia das 13h às 18h, senhora. Ligo para falar com mais uma mocinha nº 779 que diz que como eles precisam usar a róto-ruter o atendimento precisa ser feito durante o dia, senhora e que se você trabalha e mora sozinha, senhora, precisa disponibilizar alguém para atender o técnico, senhora, porque ele precisa que alguém esteja em casa, senhora. Ok, então pode ser na quinta-feira das 16h às 18h? Sim, senhora, confirmado seu atendimento, senhora.

São 15h de quinta-feira e mais uma mocinha nº 834 da lista de mocinhas liga perguntando se estou em casa porque há um técnico próximo da minha casa e que poderia estar realizando o procedimento de desentupimento do ralo do seu banheiro social em cerca de 10min, senhora. Não estou em casa, então o procedimento fica no horário marcado das 16h às 18h, senhora. Passam 10min e mais uma mocinha nº345 (que eu já não tenho certeza se já falei com ou não) me liga porque estaremos reagendando seu atendimento para amanhã de manhã porque a máquina que seria utilizada está com problema, senhora. (vocês tão acompanhando? em 10min a máquina ESTRAGOU) Olha, mocinha nº 345 infelizmente não, não será reagendado porque eu nãoaguentomais e nãomeimporta se vai commáquina ou semmáquina eu quero alguém naquele apartamento para desentupir aquele ralo H O J E. Ho-je. Hoje. Dá um jeito que eu não vou esperar até amanhã. Se tu disser que vai ser reagendado eu saio daqui direto para o procon. Ou pra imobiliária. Tudo bem senhora vou estar entrando em contato com a base para ver se existe a disponibilidade de blawhiskasache hoje, senhora. A ligação cai. Ligo de novo, falo toda a ladainha de novo. Grito de novo com a mocinha nº 678. Ela diz que tem uma base que é mais longe da minha casa com o maquinário necessário, senhora, ele deve chegar em 50min na sua casa, senhora. Ok.

No ônibus, a mocinha nº 528 liga para informar que sim, vai um técnico lá em casa porém não vai conseguir chegar às 16h mas me garantiu que até as 18h sim, ele estaria lá. Não to entendendo porque tu tá me ligando, mocinha, mas ok. Eu posso esperar, tô desde terça-feira 8h esperando mesmo. A seguradora pede desculpas via mocinha nº 528 e agradece a compreensão. Eu não compreendi porra nenhuma, mas vamos em frente. Obrigada, mocinha. Mais uns minutos e a mocinha nº 47 me liga pra informar que o técnico está na sua casa para o atendimento das 16h às 18h senhora, mas a senhora não está no local. Eu tô chegando em 5min, mocinha. O mocinho nº 34 não possui maquinário algum, só uma mangueira esquisita de metal que parece um chuveirinho de chuveiro a gás. Ele constata pela 2ª vez que sim, precisamos dum maquinário para limpar o encanamento. Ligo para a seguradora pela milésima vez do dia. A mocinha nº 893 diz que está confirmado o atendimento mas que ela ligou para a base e a base que vai prestar o serviço informou que não vai conseguir cumpri o horário e reagendou o procedimento, senhora, das 18h às 20h senhora. Ela entra em contato com a base novamente e a ligação cai. Ligo, ouço minutos de musiquinhas clássicas em versões quase binárias e consigo falar com a mocinha de nº 134 que me informa que está confirmado o atendimento agendado senhora das 18h às 20h com o uso de um maquinário senhora. (vocês continuam aqui? agora pode usar o maquinário depois das 18h, antes não podia? prossigamos)

São 18:30 e a mocinha nº 65 me liga para informar que o técnico está com o maquinário mas que ele cobra um valor que excede o suposto valor que eu tenho coberto pela seguradora. Peço desculpas, não quero ser mal-educada, mas eu não sei se eu ligo pro procon, pra polícia, pra imobiliária ou mando vocês tomarem no cu. A mocinha nº 65 pede desculpas, ouve toda a novela acima supracitada e diz que vai entrar em contato com alguém de algum outro setor da seguradora e da empresa e de alguma repartição e vai me retornar sobre o assunto. São 19h e sigo esperando o retorno. A mocinha nº 65 me retorna para pedir desculpas, senhora, pois realmente na apólice do seu seguro cobria R$300 e não só R$100 como constava no sistema, senhora, por isso o técnico estará na sua casa em cerca de 120 minutos, senhora. Ele infelizmente não tem como chegar mais cedo porque está distante, senhora, mas vai tentar chegar antes desse prazo, ok senhora? A mocinha nº 65 pediu muitas desculpas por todo o transtorno e agradeceu a minha compreensão.

O mocinho nº 456 chegou tipo depiladora que te distrai, saiu perguntando se eu era de São Paulo pelo meu sotaque, perguntou o que tinha acontecido enquanto tentava tirar molas de metal enroscadas em outras molas de metal e mais fios e muita quinquilharia que estava misturada no porta-malas do carro e de um jeito super engraçado até não me fez querer afogar ele junto com as molas no encanamento entupido. Ele enfiou 7m de molas no meu encanamento via ralo do box do banheiro e ligou o tal do róto-ruter, que na verdade era um motor que girava essa mola loucamente dentro do meu encanamento, e mandou ver. Enquanto ele ainda tentava falar comigo sobre Ratones, sítio, perguntou se eu frequento uma casa de software no Porto da Lagoa na frente daquela pizzaria Nave Mãe, não? Eu tinha certeza que tinha te visto de lá, tenho a sensação que te conheço de algum lugar. Não falei que pareço a Mallu Magalhães, mas ele também não parecia o tipo que conhece a Mallu se bem que todo mundo conhece então ainda bem que não falei nada. Ele deu até uma debochada de mim e perguntou se fui na Galeria do Rock, no Brás e na 25 de março lá em SP porque ele é de lá, bebia com Os Gêmeos porque trabalhava do lado deles e agora os caras andam de terninho e a professora dele no colégio antartica era coordenadora visual do Castelo Rá-Tim-Bum e ele era coordenador lá em SP, mas decidiu largar uma grande corporação e vir pra Floripa. Enquanto isso, Nina a gata ia curiosamente cheirar o mocinho nº 456 que na verdade se chama Henrique (acho que o único que sei o nome) e o róto-ruter lá, rodando sem parar e o Henrique enfiando mais a mola e forçando e eu abri todas as torneiras e a água tava parando de subir então quando ele tirou a mola do meu encanamento disse MIAU porque uma bola absurda de pelos, cabelos, fios e outros corpos-não-voadores-que-não-se-decompõe estava na ponta da mola, provavelmente os causadores de toda essa ladainha acima supracitada.

Fim. Henrique ainda ficou falando de SP, gêmeos, que não bebia Coca e que Soda é a pior coisa pra quando tá entupido o encanamento enquanto preenchia um papel dizendo que o procedimento foi realizado com sucesso, senhora. Tomei banho olhando pro ralo esperando a água voltar, algum problema acontecer mas nada. Nadica. Água nem se mexeu. Inclusive parecia verter pra dentro do encanamento.

terça-feira, 2 de julho de 2013

6 coisas aleatórias que ainda faltam aqui em casa

1. uma jarra de suco em formato de abacaxi.

2. um aspirador-vassoura elétrica

3. uma luminária de pinça pra escrivaninha.

4. um puxa-saco em formato de galinha morta.

5. uma estantezinha do lado da escrivaninha

6. uma panela de pressão.

terça-feira, 4 de junho de 2013

todo dia ela faz tudo sempre igual


café arruma cama limpa a caixinha dá comida e troca a água da Nina almoça lava louça café trabalha até dizer chega tem dias que tem bolinho tem dias que lava roupa tem dias que tem naninha depois do almoço tem dias que tem que dividir o travesseiro tem dias que molha as plantas checa emails confere as postagens tira foto abre a janela pro vento entrar e quem sabe um solzinho cozinha faz café chá e toma água toma banho fica de preguiça na cama demora pra levantar afofa a Nina faz bagunça precisa se arrumar todo dia ela faz tudo sempre igual mas todo dia é diferente.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

vizinhança

Abri a janela e dei de cara com um apartamento vazio. Minha janela da cozinha (que também é sala) dava para a janela da sala de um apartamento onde morava uma família que fazia parte dos meus dias. Pedrinho e seus pais dividiam um apartamento que, na melhor das hipóteses, tinha uns 35m2. Logo depois que eu me mudei e a senhorita minha gata adquiriu amores pela janela, mãe e filho brincavam no chão, ali embaixo e, me vendo na janela em busca da bichana, perguntaram coisas sobre ela e sobre mim. Descoberto o nome da gatinha, Pedrinho chamava por ela quase todas as manhãs que ia bater bola com a mãe: "Nina! Nina! Nina!". Nessas horas eu queria que ela fosse menos gato e mais cachorro, para dar atenção ao menino.

Outra vizinha que sempre chama pela Nina quando a vê na janela é uma senhora muito duvidosa do terceiro andar aqui do prédio. Gordinha, com cara de que não gostou mas com uma vozinha altamente doce - o que me confunde muito -, ela sempre leva para passear a Suzi e o Luki (vamos supôr que se escrevam assim os nomes). Suzi é uma cachorra muito parecida com a dona, apesar de ser extremamente mais simpática. Pretinha, parecida com um cocker e geralmente de lacinho, ela costuma vir me cheirar quando nos encontramos no corredor. O Luki eu suponho que seja o salsichinha, mas sei da sua existência porque todo santo dia ele é chamado umas dez vezes. Sabe-se lá o que o pobre cachorro foi fazer, só sei que sobram gritos de "Luuuukiiiii, luuuukiiiii" de manhã e final da tarde também.


Essa mesma senhora é casada com um senhor muitíssimo simpático. Ele é bem balofinho e tem um bigode protuberante, desses bem proeminentes, que escondem a própria boca. Com uma cara de quem está sorrindo por trás do bigode (e que a gente não tem muito bem como ter ou não certeza), ele me cumprimentou poucas vezes, porque nos encontramos pouco nos corredores ou portas. A única vez que ele se dirigiu a mim foi para perguntar se minha gatinha (ela mesma) estava bem e em casa. Na noite anterior ela se jogou, se defenestrou, quis tentar a liberdade ou simplesmente seguiu seus instintos atrás de um bolinho de penas voador e foi achada miando no portão, pedindo para entrar no prédio. Como a bicha é exibida e todos os vizinhos sabem que ela mora aqui, o senhor do bigode veio conferir se eu era "a menina da gata que fica na janela" e se tava tudo certo. Respondi meio rindo que sim, que a peste estava bem, que nem eu sabia como ela tinha parado lá.

Aliás, o moço que veio me avisar que a Nina estava querendo desesperadoramente voltar para o aconchego do nosso mini lar é um ser muito curioso. Ele é bem novo, deve ter uns 26 anos e, se não terminou a faculdade, está num mestrado. Ele tem cara de estar no meio acadêmico. De vez em sempre vejo ele de chapéu, o que acho curioso e bonito e também me faz concluir que ele ouve samba. Inclusive, já vi ele em uma festa que comprova isso. Ele tem duas cachorras vira-latas, dessas profissionais em serem vira-latas, bem amarelinhas. Ouço eles saindo e entrando do prédio direto, e elas sempre saem sem coleira. Não sei como a Nina não foi caçada no dia que caiu da janela!

Falando em janela, eu moro no primeiro andar e é bem baixo, não vai acontecer nada com a Nina se ela resolver desbravar o mundo novamente. Mas ela tá o tempo todo na janela. Sempre. Vez ou outra eu vou verificar se ela ainda está lá ou onde a pestinha se meteu, assim, por precaução. Numa dessas ela estava paradinha sentada na janela fazia muito tempo e fui ver o que tanto ela observava: era a Laura, filhinha dos vizinhos aqui do lado. Agarradinha nas grades da janela, a pequena, que só se via testa, franjinha e olhos arregalados, observava o ser branco e peludo. Quando eu apareci e falei com ela, rolou alguma comunicação tipo "gatinho" "aham" "você gosta de gatinhos?" ":)". A pequena, com uns 2 anos, não deu muita bola para mim. A mãe dela é uma querida, que faz geografia e leva a filha de bicicleta todosantodia para o trabalho, creche, faculdade. Eu não sei como é que dá certo, mas ela e o marido saem todos os dias de bike. Acho lindo. Eles acorrentam as bikes juntas, inclusive. Muito amô.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

6 coisas aleatórias e fofas sobre a Nina

Hoje faz um ano que eu fui pegar um filhotinho peludo e branco de olhos azuis no meio de outros seis. Hoje faz um ano que a primeira coisa que eu faço é dar comida, afofar e abrir a torneira pra essa bichinha tomar água. Hoje faz um ano que toda vez que eu chego em casa tem uma bolinha miando e me esperando na porta. Hoje faz um ano que eu escolhi ser mãe dessa coisa linda – e que sou completamente apaixonada. Por isso, hoje o 6 coisas aleatórias é especial pra Ninoca:

1) Ela pede pra beber água da torneira do banheiro.


2) Ela adora comer frutas:


3) Ela, em geral, não tem cheirinho. Um dia eu disse que ela cheirava a pão dôce, mas acho que não é bem isso. Agora ela tá cheirando amaciante por causa das cobertas limpinhas e cheirosas, nhoin.


4) Como uma gata que se preza, ela adora caixas e sacolas, se enfiar em buracos e coisas do tipo.


5) Ela gosta de comer sacolas de plástico de mercado. Sério, não sei qual é a fixação, mas fico altamente preocupada porque não deve ser nada saudável comer plástico

6) Ela se irrita com o despertador tocando e eu não ouvindo (normal) e vem me acordar miandinho e mordendo fraquinho. Nhac!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

6 plantas aleatórias que eu tenho


1) Pimenta malagueta, presente do Bazi.



2) Violeta.


3) Suculenta, presente da Ninna.



4) Suculentas alemãs, presente da Tina.


5) Alyssum, flor com cheirinho de mel.



6) Essa (que é a mesma da que está com a pimenta). Dá flores bem fofas.