domingo, 14 de setembro de 2008

Nem eu

I) O Curso de Medicina
Fui ter com ele. Fiquei às distâncias físicas mais angustiantes. Seus olhos nada estrábicos mas oblíquos ficaram a me analisar uns instantes e não aguentei: me virei sem desvirar e fui-me embora. Mais um desses encontros me espera e o cheiro de café vai infestando a casa.
De resto, quero que vá as favas o curso de medicina. Que não sou talento desperdiçado em nada na profissão que escolhi. E mesmo que fosse, a escolha é minha e quem manda na minha vida desde muito atrás sou eu. Se não fosse, não escolheria que roupa usar com apenas um ano e meio. Outra que mesmo que escolhesse seguir como médica faria questão de trabalhar em prol dos que sofrem e não podem pagar por tratamentos de verdade. Iria passar temporadas no Norte, à beira dos rios; no Nordeste, estigando o calor sedento; no Sudeste ia ter com as autoridades: já se viu tanta gente e tão pouco hospital de verdade? Em verdade os pobres nada ou pouco podem.
Que de riqueza material não preciso, fora o luxo de ter um computador daqueles de gente grande. Seria uma médica ótima mas semi-pobre, que luxo pra mim é ser feliz e com a consciência limpa. Luxo não se compra mais não, por incrível que pareça. Delírio pouco, coisa pequena, mas tenho certeza de quem sou quando se trata da humanidade. Sou um retrato fiel aos bons corações que ainda ajudam quem precisar ou somente quem estiver aforra.

II) A Idéia Fixa
Pois não é que ficou à minha mente, inerente ao perigo de querer, a idéia da criação do relacionamento? Mas é essa idéia como um flagelo a navegar pelas ondas da atmosfera, nada fixa. A idéia fixa que parece bactéria em amor ao nitrogênio é outra. Sabem de crianças que põe em mente que tem de fazer algo quando o tédio as toma? Pois sou assim, diferindo que pouco tempo tenho para ficar as favas com minhas idéias.
Ainda nada floresceu, mas a idéia continua, fixa como que colada com Super Bonder. E devo citar dois versos:
"A confusão pode ser doce,
A perfeição pode matar."

Um comentário:

Louie Louie disse...

Será mesmo? Acho que tudo isso tem de ser analisado muito mais profundamente.
Trabalar de mais por caridade é muito difícil, porque há um enorme preço psicológico por detrás de tudo, e nem sempre tu vai ser devidamente erconhecida, agradecida, e nem sucedida.
Lindo será se os bons feitos gritem mais alto que os maus, porque é raro. É muito difícil pesar as coisas pro lado das coisas boas, e somente se assim levada a vida generosa ela pode seguir sã.
Te admiro, Cristal, mas ainda acho que é uma idéia a amadurecer. Inclusive, tu é uma pessoa muito pensadora, instrospectiva, criativa, essas coisas ficam um pouco abandonadas quando se está dedicado demais aos outros.
Tent todo o meu apoio e admiração, pode ter certeza.