sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

da rua: picolé sabor cigarro


parada ali, esperando o semáforo fechar pra poder atravessar a rua. já molhada, tomando mais chuva. um menino parou do meu lado e eu demorei pra notar porque tava desenrolando o fone de ouvido, pensando na vida, pingos caindo, a blusa prestes a ficar transparente etc. aí notei que o menino tava fumando. ele tinha uns 12 anos, carregava um free no meio dos dedos, dava tragadas rápidas e tossia repetidamente. cuspia a cada três tragadas e duas tossidas. inquieto, ansioso, ele batucava os pés que calçavam um chinelo nas poças que a chuva tinha formado. o sinal abriu, ele atravessou quase correndo, como se um dos carros parados pudesse acelerar repentinamente. eu fui ficando pra trás. ele parecia estar com pressa. ele pára, mexe no bolso e pega um carlton. acende com o resto do free, joga o free no chão sem dúvida nem olhar pra trás e continua andando. um celular na mão, duas tragadas, uma cuspida e ele desata a correr. dois minutos depois minha miopia o perde de visão. ele deveria ter a mesma altura da minha irmã de 11 anos e, ao invés de um cigarro, ele deveria ter um picolé.

Um comentário:

sobrefatalismos disse...

Triste realidade. E com a qual nos confrontamos cotidianamente.
Abraços.