Entrei no mercado apenas pra comprar areia pra Nina e pão. Mas, sabe-se-lá-porquê parei na seção de frutas, verduras e vegetais em geral. Enquanto escolhia apressadamente minhas abobrinhas e berinjelas e pensava que era mesmo uma senhora por estar comprando vegetais de novo, percebi que estava ouvindo música num volume ensurdecedor. Típico dos dias que saio de casa sem sair da minha bolha. Mas no mercado eu desligo a música. Sei lá porquê, mesmo.
Notei que a música não era um sertanejo-eletrônico-meio-pagode-meio-funk num volume alto demais (o que geralmente acontece, em se tratar de mercado rosa), mas não prestei muita atenção. Como eu tava de óculos e sem meu filtro pessoal de não ver nem perceber as pessoas, acabei notando um moço que escolhia umas frutas enquanto eu embalava minhas cebolas. Ele parecia agitado, balançando. Depois de um tempo, percebi que era a segunda música de rock. Na sequência. E o moço continuava se mexendo enquanto colocava frutinhas no saquinho. Aí notei que ele tava tão empolgado (e não era com as frutinhas, óbvio) que tava até cantando (sem voz, gesticulando só – porque o moço tem um pouco de simancol).
Depois encontrei ele em outros corredores, na padaria e ele continuava cantando enquanto eu batucava de leve os pés no chão. A música era algo tipo iron maiden, sabbath ou metallica, não sei direito porque não ouço de verdade nem nunca ouvi de verdade essas bandas. Fiquei com a impressão de que alguns dos funcionários muito espertinho colocou o CD que gosta de ouvir pra tocar pro mercado inteiro, porque enquanto esperava a fila do caixa rápido-que-nunca-tem-caixas-pra-ser-rápido, a música parou de repente e um daqueles sertanejo-eletrônico-meio-pagode-meio-funk num volume alto demais começou a tocar.
Mostrando postagens com marcador da rua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador da rua. Mostrar todas as postagens
sábado, 8 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
da rua: picolé sabor cigarro
parada ali, esperando o semáforo fechar pra poder atravessar a rua. já molhada, tomando mais chuva. um menino parou do meu lado e eu demorei pra notar porque tava desenrolando o fone de ouvido, pensando na vida, pingos caindo, a blusa prestes a ficar transparente etc. aí notei que o menino tava fumando. ele tinha uns 12 anos, carregava um free no meio dos dedos, dava tragadas rápidas e tossia repetidamente. cuspia a cada três tragadas e duas tossidas. inquieto, ansioso, ele batucava os pés que calçavam um chinelo nas poças que a chuva tinha formado. o sinal abriu, ele atravessou quase correndo, como se um dos carros parados pudesse acelerar repentinamente. eu fui ficando pra trás. ele parecia estar com pressa. ele pára, mexe no bolso e pega um carlton. acende com o resto do free, joga o free no chão sem dúvida nem olhar pra trás e continua andando. um celular na mão, duas tragadas, uma cuspida e ele desata a correr. dois minutos depois minha miopia o perde de visão. ele deveria ter a mesma altura da minha irmã de 11 anos e, ao invés de um cigarro, ele deveria ter um picolé.
Assinar:
Postagens (Atom)
