sexta-feira, 19 de agosto de 2011

ditadura

"Se o sujeito libidinal moderno beneficia-se do afrouxamento das coerções tradicionais, não é por isso menos dirigido por novos modelos padronizados, tais como a obrigação de mostrar-se livre, chegar ao máximo do gozo, estar à altura dos padrões do desempenho erótico. Nos períodos anteriores, predominava a norma pudicícia; agora teríamos uma "liberdade imposta", uma "perseguição" inédita que nada mais é que a sexualidade e o "orgasmo obrigatório". (...)
Vocês pensavam ter conquistado a liberdade? Erro completo, visto que nossa cultura nos impõe metodicamente experimentar tudo, livrar-nos de nossos bloqueios e inibições, gozar ao máximo, tornar-nos uma espécie de atletas da libido. (...)
Foi assim que o direito ao prazer, incensado pela geração rebelde, se tornou intimação, uma "corvéia", uma espécie de produtivismo do gozo, análogo em seu princípio àquele que ordena o mundo industrial."

Um comentário:

O Impenetrável disse...

seu blog é uma lindeza de inspiração, parabéns!