1. dar unfollow no twitter.
2. deletar os pseudo-conhecidos do facebook.
3. doar as roupas que você não usa mais.
4. descongelar a geladeira.
5. excluir e reorganizar todo o desktop.
6. escovar os dentes.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
vizinhança
Abri a janela e dei de cara com um apartamento vazio. Minha janela da cozinha (que também é sala) dava para a janela da sala de um apartamento onde morava uma família que fazia parte dos meus dias. Pedrinho e seus pais dividiam um apartamento que, na melhor das hipóteses, tinha uns 35m2. Logo depois que eu me mudei e a senhorita minha gata adquiriu amores pela janela, mãe e filho brincavam no chão, ali embaixo e, me vendo na janela em busca da bichana, perguntaram coisas sobre ela e sobre mim. Descoberto o nome da gatinha, Pedrinho chamava por ela quase todas as manhãs que ia bater bola com a mãe: "Nina! Nina! Nina!". Nessas horas eu queria que ela fosse menos gato e mais cachorro, para dar atenção ao menino.
Outra vizinha que sempre chama pela Nina quando a vê na janela é uma senhora muito duvidosa do terceiro andar aqui do prédio. Gordinha, com cara de que não gostou mas com uma vozinha altamente doce - o que me confunde muito -, ela sempre leva para passear a Suzi e o Luki (vamos supôr que se escrevam assim os nomes). Suzi é uma cachorra muito parecida com a dona, apesar de ser extremamente mais simpática. Pretinha, parecida com um cocker e geralmente de lacinho, ela costuma vir me cheirar quando nos encontramos no corredor. O Luki eu suponho que seja o salsichinha, mas sei da sua existência porque todo santo dia ele é chamado umas dez vezes. Sabe-se lá o que o pobre cachorro foi fazer, só sei que sobram gritos de "Luuuukiiiii, luuuukiiiii" de manhã e final da tarde também.
Essa mesma senhora é casada com um senhor muitíssimo simpático. Ele é bem balofinho e tem um bigode protuberante, desses bem proeminentes, que escondem a própria boca. Com uma cara de quem está sorrindo por trás do bigode (e que a gente não tem muito bem como ter ou não certeza), ele me cumprimentou poucas vezes, porque nos encontramos pouco nos corredores ou portas. A única vez que ele se dirigiu a mim foi para perguntar se minha gatinha (ela mesma) estava bem e em casa. Na noite anterior ela se jogou, se defenestrou, quis tentar a liberdade ou simplesmente seguiu seus instintos atrás de um bolinho de penas voador e foi achada miando no portão, pedindo para entrar no prédio. Como a bicha é exibida e todos os vizinhos sabem que ela mora aqui, o senhor do bigode veio conferir se eu era "a menina da gata que fica na janela" e se tava tudo certo. Respondi meio rindo que sim, que a peste estava bem, que nem eu sabia como ela tinha parado lá.
Aliás, o moço que veio me avisar que a Nina estava querendo desesperadoramente voltar para o aconchego do nosso mini lar é um ser muito curioso. Ele é bem novo, deve ter uns 26 anos e, se não terminou a faculdade, está num mestrado. Ele tem cara de estar no meio acadêmico. De vez em sempre vejo ele de chapéu, o que acho curioso e bonito e também me faz concluir que ele ouve samba. Inclusive, já vi ele em uma festa que comprova isso. Ele tem duas cachorras vira-latas, dessas profissionais em serem vira-latas, bem amarelinhas. Ouço eles saindo e entrando do prédio direto, e elas sempre saem sem coleira. Não sei como a Nina não foi caçada no dia que caiu da janela!
Falando em janela, eu moro no primeiro andar e é bem baixo, não vai acontecer nada com a Nina se ela resolver desbravar o mundo novamente. Mas ela tá o tempo todo na janela. Sempre. Vez ou outra eu vou verificar se ela ainda está lá ou onde a pestinha se meteu, assim, por precaução. Numa dessas ela estava paradinha sentada na janela fazia muito tempo e fui ver o que tanto ela observava: era a Laura, filhinha dos vizinhos aqui do lado. Agarradinha nas grades da janela, a pequena, que só se via testa, franjinha e olhos arregalados, observava o ser branco e peludo. Quando eu apareci e falei com ela, rolou alguma comunicação tipo "gatinho" "aham" "você gosta de gatinhos?" ":)". A pequena, com uns 2 anos, não deu muita bola para mim. A mãe dela é uma querida, que faz geografia e leva a filha de bicicleta todosantodia para o trabalho, creche, faculdade. Eu não sei como é que dá certo, mas ela e o marido saem todos os dias de bike. Acho lindo. Eles acorrentam as bikes juntas, inclusive. Muito amô.
Outra vizinha que sempre chama pela Nina quando a vê na janela é uma senhora muito duvidosa do terceiro andar aqui do prédio. Gordinha, com cara de que não gostou mas com uma vozinha altamente doce - o que me confunde muito -, ela sempre leva para passear a Suzi e o Luki (vamos supôr que se escrevam assim os nomes). Suzi é uma cachorra muito parecida com a dona, apesar de ser extremamente mais simpática. Pretinha, parecida com um cocker e geralmente de lacinho, ela costuma vir me cheirar quando nos encontramos no corredor. O Luki eu suponho que seja o salsichinha, mas sei da sua existência porque todo santo dia ele é chamado umas dez vezes. Sabe-se lá o que o pobre cachorro foi fazer, só sei que sobram gritos de "Luuuukiiiii, luuuukiiiii" de manhã e final da tarde também.
Essa mesma senhora é casada com um senhor muitíssimo simpático. Ele é bem balofinho e tem um bigode protuberante, desses bem proeminentes, que escondem a própria boca. Com uma cara de quem está sorrindo por trás do bigode (e que a gente não tem muito bem como ter ou não certeza), ele me cumprimentou poucas vezes, porque nos encontramos pouco nos corredores ou portas. A única vez que ele se dirigiu a mim foi para perguntar se minha gatinha (ela mesma) estava bem e em casa. Na noite anterior ela se jogou, se defenestrou, quis tentar a liberdade ou simplesmente seguiu seus instintos atrás de um bolinho de penas voador e foi achada miando no portão, pedindo para entrar no prédio. Como a bicha é exibida e todos os vizinhos sabem que ela mora aqui, o senhor do bigode veio conferir se eu era "a menina da gata que fica na janela" e se tava tudo certo. Respondi meio rindo que sim, que a peste estava bem, que nem eu sabia como ela tinha parado lá.
Aliás, o moço que veio me avisar que a Nina estava querendo desesperadoramente voltar para o aconchego do nosso mini lar é um ser muito curioso. Ele é bem novo, deve ter uns 26 anos e, se não terminou a faculdade, está num mestrado. Ele tem cara de estar no meio acadêmico. De vez em sempre vejo ele de chapéu, o que acho curioso e bonito e também me faz concluir que ele ouve samba. Inclusive, já vi ele em uma festa que comprova isso. Ele tem duas cachorras vira-latas, dessas profissionais em serem vira-latas, bem amarelinhas. Ouço eles saindo e entrando do prédio direto, e elas sempre saem sem coleira. Não sei como a Nina não foi caçada no dia que caiu da janela!
Falando em janela, eu moro no primeiro andar e é bem baixo, não vai acontecer nada com a Nina se ela resolver desbravar o mundo novamente. Mas ela tá o tempo todo na janela. Sempre. Vez ou outra eu vou verificar se ela ainda está lá ou onde a pestinha se meteu, assim, por precaução. Numa dessas ela estava paradinha sentada na janela fazia muito tempo e fui ver o que tanto ela observava: era a Laura, filhinha dos vizinhos aqui do lado. Agarradinha nas grades da janela, a pequena, que só se via testa, franjinha e olhos arregalados, observava o ser branco e peludo. Quando eu apareci e falei com ela, rolou alguma comunicação tipo "gatinho" "aham" "você gosta de gatinhos?" ":)". A pequena, com uns 2 anos, não deu muita bola para mim. A mãe dela é uma querida, que faz geografia e leva a filha de bicicleta todosantodia para o trabalho, creche, faculdade. Eu não sei como é que dá certo, mas ela e o marido saem todos os dias de bike. Acho lindo. Eles acorrentam as bikes juntas, inclusive. Muito amô.
quinta-feira, 11 de abril de 2013
6 coisas aleatórias que a gente se acostuma muito rápido
1. Trabalhar de pantufas.
2. Acordar acompanhado.
3. Ter tempo para tomar café-da-manhã.
4. Não ter que dar satisfações a ninguém.
5. Usar um computador, celular ou o que seja mais potente que o normal.
6. Não ter que pegar trânsito para se locomover.
domingo, 24 de março de 2013
palavras dos outros: tílburi de praça, raul pompéia
"- Meu senhor, o coração dessa mulher é uma coisa complicada. Não se pode estudar e definir de uma só maneira, mas, no ponto da sua consulta, eu creio que não erra, com esta exposição da minha experiência. Há corações fechados que são como portas de que se perde a chave. Ninguém lhes entra, sem que um milagre da sorte ensine como. Então, é a imensa ventura. Há corações de uma só porta, como as casas seguras, onde a gente entra, sem custa, instala-se, faz família dentro, e aí chega a netos tranquilamente. Há corações de duas portas, que dão entrada a um afeto pela frente, diante da indiscreção da Candinha e seus filhos. O segrêdo dêstes amôres de acôrdo é possível, mas às vêzes, mesmo em segrêdo êles são felizes. Há corações hotéis, onde todo mundo entra, escandalosamente, quase simultâneamente, pagando à parte seu cômodo, sem grande intriga, nem ciúmes. Há corações bodegas, que é um horror... Mas há uma espécie curiosa de coração, um produto das sociedades desenvolvidas, para a qual lhe chamo a atenção – é o coração volante, o coração rodante, que aceita amor, mas que não fixa, daqui para ali, a tanto por hora, a tanto por mês, o coração tílburi de praça, que aceita o passageiro em qualquer canto, que dobra esquina, que corre, que pára, que vem, que desaparece, que passa pela gente, às vêzes, juntinho, sem que se possa ver quem vai dentro..."
do livro Maravilhas do Conto Brasileiro.
segunda-feira, 11 de março de 2013
sobre a normalidade
Passo o tempo todo conhecendo pessoas diferentes, escutando histórias, aprendendo detalhes da vida dos amigos. Parando para pensar, deve ser o meu único e maior passatempo. Eu gosto de pessoas, gosto de ver no fundo dos olhos suas vontades. Outro dia conheci um moço que só de estar do meu lado emanava tristeza. E nem era por estar do meu lado, eram várias outras coisas que, com certeza, ele não me contou. Eu não preciso saber o que para saber que houve.
Parei para pensar em todas as pessoas que eu conheço e não lembro de nenhuma ser normal. Não é porque eu me relaciono só com estranhos, é porque não existe tal coisa chamada de normalidade. Todas as pessoas que eu conheço sofreram e tiveram algum trauma na vida. Faltou um pai, uma mãe, foi a descoberta da homossexualidade, falta de amor, excesso de zelo, um coração partido ou sobrecarregamento de responsabilidades. Todo mundo que eu conheço tem dificuldade em fazer algumas coisas por um medo intrínseco, inconsciente e sem sentido. Todas as pessoas, inclusive eu.
A normalidade é outro conceito criado para nos fazer viver o tempo todo em busca de ideais utópicos. É o combustível para uma vidinha conformada e medíocre, sem verdadeiros prazeres, experimentos ou buscas. É com ela que dizem que conseguimos a paz, o amor e a felicidade. Para mim, a normalidade é a estagnação, é a falta de movimento. A paz e a felicidade vem quando a gente encontra o equilíbrio, mas não é preciso parar para isso.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
6 versões aleatórias para o "não sei se caso ou compro uma bicicleta"
1. não sei se corto ou deixo o cabelo crescer.
2. não sei se faço coisas demais ou sou incompetente.
3. não sei se durmo ou vejo um filme.
4. não sei se pego arroz e feijão ou macarrão.
5. não sei se largo o curso ou me formo.
6. não sei se vou ou se fico.
2. não sei se faço coisas demais ou sou incompetente.
3. não sei se durmo ou vejo um filme.
4. não sei se pego arroz e feijão ou macarrão.
5. não sei se largo o curso ou me formo.
6. não sei se vou ou se fico.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
6 sinais aleatórios de que já somos adultos
2. colocar contas em débito automático.
3. "férias" se resumir a uma semaninha nos dias entre natal e ano-novo.
4. tomar café sem açúcar.
5. o extrato bancário ter mais de uma página.
6. carteira com espaço pra mais de 4 cartões.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
pão dôce
A moça da padaria chamou o número onze. Entreguei a ficha com o mesmo número impresso e, na hora que abri a boca para falar o que queria, um moço encostou no meu braço e disse: "deixa só eu perguntar pra ela antes, senão vou embora - e olhando pra moça da padaria - tem pão doce?" Enquanto a moça ia conferir, ele olhou pra mim meio pedindo desculpas e eu dei um sorrisinho, sem conseguir dizer nada porque, em verdade, não tinha problema e foi uma surpresa e tanto. Tinha pão doce. O moço encostou a cesta de compras no balcão da padaria e eu pedi 4 pães de trigo dos mais clarinhos, por favor. Olhei dentro da cesta dele e tinha chocolate, melancia e um bolo. O moço nem era bonito, eu nem reparei nisso, reparei na cestinha dele - mania de criar histórias e perfis pras pessoas a partir do que elas estão comprando no mercado - mas quase virei pra ele pra pedir o telefone dele e dizer que eu gosto muito de pão doce também, moço. Mas a moça me entregou meus cuatro pães de trigo mais clarinhos e eu fui para a fila do pastel.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
receitas: carne com quiabo
Quiabo e jiló são dois vegetais altamente injustiçados: são tidos como o uó do borogodó culinário pela maioria das pessoas, causando um imenso preconceito só de se ouvir os ditos nomes. A bem da verdade é que a maioria das pessoas sequer sabe o que e como eles são, que dirá o gosto! A primeira vez que comi quiabo foi quase um experimento gastronômico, mas eu gostei muito. Ele baba um pouco, tem uma textura e gosto específicos e as sementes dão um charme à parte. Desde que moro sozinha e por adorar cozinhar, tenho uma lista de receitas que preciso ou quero aprender a fazer. Carne com quiabo era uma delas. Graças à amiga mineira Camila, deu tudo certo. Então, voilá:
Ingredientes:
- 125g de quiabo
- 150g de carne vermelha em cubos
- 1/2 cebola roxa
- 1 dente de alho
- 1 tomate médio maduro
- orégano, páprica picante e noz moscada para temperar
- sal e pimenta
Como fazer:
Corte as pontas dos quiabos, jogue fora e fatie o restante em rodelas de cerca de 1,5 cm. Frite em cerca de 0,5 cm de óleo até dourar. Atenção: não mexa, senão o quiabo vai babar. Enquanto isso, frite a carne temperada em outra panela. Quando o quiabo estiver pronto, misture com a carne e tampe a panela (em fogo médio, para não queimar ou secar). Aproveite o óleo do quiabo para dourar o alho, a cebola e refogar o tomate. Cozinhe durante uns 5 minutos, até que o tomate comece a desmanchar. Junte isso à carne com quiabo. Misture pouco ainda para o quiabo não babar, prove o sal e deixe ferver por mais uns 5 a 10 min, até o quiabo estar macio e o tomate bem cozido. Pronto! Sirva com arroz branquinho.
Ingredientes:
- 125g de quiabo
- 150g de carne vermelha em cubos
- 1/2 cebola roxa
- 1 dente de alho
- 1 tomate médio maduro
- orégano, páprica picante e noz moscada para temperar
- sal e pimenta
Como fazer:
Corte as pontas dos quiabos, jogue fora e fatie o restante em rodelas de cerca de 1,5 cm. Frite em cerca de 0,5 cm de óleo até dourar. Atenção: não mexa, senão o quiabo vai babar. Enquanto isso, frite a carne temperada em outra panela. Quando o quiabo estiver pronto, misture com a carne e tampe a panela (em fogo médio, para não queimar ou secar). Aproveite o óleo do quiabo para dourar o alho, a cebola e refogar o tomate. Cozinhe durante uns 5 minutos, até que o tomate comece a desmanchar. Junte isso à carne com quiabo. Misture pouco ainda para o quiabo não babar, prove o sal e deixe ferver por mais uns 5 a 10 min, até o quiabo estar macio e o tomate bem cozido. Pronto! Sirva com arroz branquinho.
sábado, 19 de janeiro de 2013
dos ônibus: bonitinha pero ordinária
eu, sonolenta e levemente doente, um pouco febril talvez, sentadinha no banco mais alto do ônibus. uma mocinha loira de olhos claros senta do meu lado, se mexe um tanto demais (o suficiente para que eu notasse), mas eu perco a atenção porque estou com sono. fecho os olhos e cochilo. acordo com a mesma mocinha falando ao telefone "oi, amiga, tudo... aham... você tá em cas...? ah, não, eu...". como eu tava sem fone, fui obrigada a ouvir que a mocinha estava decepcionada com seu namorado. ele é muito individualista, ela repetia para a amiga Amanda. acho que a mocinha sequer sabe o que individualista significa. ela estava completamente irritada e havia discutido com o menino porque ele ia para uma festa com seus amigos sem ela, porque ele ficou irritado que ela não quis ver ele no único dia que ela mesma havia dito que poderia vê-lo antes de viajar e porque, de acordo com ela, em nenhum relacionamento você pode e tem a liberdade de fazer e sair com quem quiser. claro que ela ter saído com as amigas e mentido sobre onde ia dormir pra não ver o menino não conta, aliás, ela se divertiu contando que ele ficou puto com isso. minha vontade foi cutucar a mocinha loira e dizer "gata, seu namorado não é individualista. você que é uma selfish bitch que não gosta mais dele e tá tentando culpar só ele pelo fim do relacionamento de vocês". porque ela também não cansou de repetir que não queria uma pessoa assim do lado dela, que ninguém queria, e que se ele não mudasse, ela ia terminar com ele.
e é assim, minha gente, que as mocinhas loiras de olhos claros quebram o coração dos mocinhos por pura incoerência. e depois reclamam que não tem homem bom no mundo.
e é assim, minha gente, que as mocinhas loiras de olhos claros quebram o coração dos mocinhos por pura incoerência. e depois reclamam que não tem homem bom no mundo.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
6 metas não-tão-aleatórias-assim para cumprir em 2013
1. menos vida virtual, mais vida real. (leia-se tentar dar mais atenção aos amigos)
2. ler mais que em 2012.
3. andar mais de bicicleta (ir pro trabalho, inclusive).
4. tomar água (e não é nem tomar mais água porque eu não tomava).
5. três viagens: porto alegre, montevidéu e rio.
6. voltar a ser organizada.
sábado, 5 de janeiro de 2013
livros de 2012
Lá em janeiro passado eu pensei "esse ano não vou fazer metas, vou ter uma lista de livros pra ler". E fiz a lista, que ficou imensa. De 23 livros, li 4 e meio: meio porque tô na metade só agora de Mi pais inventado, da Isabel Allende. A maioria dos livros da lista eu não li porque não tive tempo, a outra eram livros que eu achava que ia precisar ou me ajudar no projeto de graduação e no meu artigo, mas necastibiribas, mudou tudo (como sempre muda). Mas eu li uns livrinhos (inteiros, porque pela metade são mais uns 8) esse ano, então vamos lá:
1. One Day, David Nicholls ★★
2. Praticamente Inofensiva, Douglas Adams ★
3. Orgulho e Preconceito, Jane Austen ★★★
4. A Linguagem das coisas, Deyan Sudjic ★★★★
5. Preciosas coisas vãs fundamentais, Sérgio Camargo ★★★★★
6. A felicidade paradoxal, Gilles Lipovetsky ★★★★★
7. A nova arte de fazer livros, Ulises Carrion ★★★★
8. Dom Casmurro, Machado de Assis ★★★★
9. A visita cruel do tempo, Jennifer Egan ★★★
10. Como funciona a ficção, James Wood ★★★★★
11. Venha ver o pôr-do-sol e outros contos, Lygia Fagundes Telles ★★★★
1. One Day, David Nicholls ★★
2. Praticamente Inofensiva, Douglas Adams ★
3. Orgulho e Preconceito, Jane Austen ★★★
4. A Linguagem das coisas, Deyan Sudjic ★★★★
5. Preciosas coisas vãs fundamentais, Sérgio Camargo ★★★★★
6. A felicidade paradoxal, Gilles Lipovetsky ★★★★★
7. A nova arte de fazer livros, Ulises Carrion ★★★★
8. Dom Casmurro, Machado de Assis ★★★★
9. A visita cruel do tempo, Jennifer Egan ★★★
10. Como funciona a ficção, James Wood ★★★★★
11. Venha ver o pôr-do-sol e outros contos, Lygia Fagundes Telles ★★★★
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
da rua: picolé sabor cigarro
parada ali, esperando o semáforo fechar pra poder atravessar a rua. já molhada, tomando mais chuva. um menino parou do meu lado e eu demorei pra notar porque tava desenrolando o fone de ouvido, pensando na vida, pingos caindo, a blusa prestes a ficar transparente etc. aí notei que o menino tava fumando. ele tinha uns 12 anos, carregava um free no meio dos dedos, dava tragadas rápidas e tossia repetidamente. cuspia a cada três tragadas e duas tossidas. inquieto, ansioso, ele batucava os pés que calçavam um chinelo nas poças que a chuva tinha formado. o sinal abriu, ele atravessou quase correndo, como se um dos carros parados pudesse acelerar repentinamente. eu fui ficando pra trás. ele parecia estar com pressa. ele pára, mexe no bolso e pega um carlton. acende com o resto do free, joga o free no chão sem dúvida nem olhar pra trás e continua andando. um celular na mão, duas tragadas, uma cuspida e ele desata a correr. dois minutos depois minha miopia o perde de visão. ele deveria ter a mesma altura da minha irmã de 11 anos e, ao invés de um cigarro, ele deveria ter um picolé.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
sobre (não) ter controle
As coisas mais bonitas que acontecem na nossa vida são as coisas que não conseguimos controlar. A gente escolhe com quem casar, mas não escolhe por quem se apaixonar. A gente escolhe ter um filho, mas não escolhe como ele vai ser. A gente escolhe dormir, mas não escolhe sobre o que sonhar.
O que dói é que a gente, justamente, não tem controle. A gente queria escolher a pessoa certa, o filho perfeito, o sonho mais bonito. Mas a vida não é assim. O que dói é que a gente também não escolhe se desapaixonar. Vê, eu não escolhi aquelas lágrimas baixinhas que caíram no meu rosto ainda pouco. Também não escolhi gostar de quem não gosta de mim. Eu escolhi te esquecer, mas não escolhi tua presença nos meus sonhos.
A gente destrói e constrói sorrisos e lágrimas todos os dias, com cheiro de alegria, com uma pitada de verdade ou com raiva e dessentimentos. Tem dias que as coisas só crescem, outros que elas só desmoronam. A gente não consegue controlar nada, e essa incerteza é que deixa tudo mais bonito. Essa beira do abismo, esse medo de altura, é tudo incerto, amorfo, inesperado.
"feel it break"
O que dói é que a gente, justamente, não tem controle. A gente queria escolher a pessoa certa, o filho perfeito, o sonho mais bonito. Mas a vida não é assim. O que dói é que a gente também não escolhe se desapaixonar. Vê, eu não escolhi aquelas lágrimas baixinhas que caíram no meu rosto ainda pouco. Também não escolhi gostar de quem não gosta de mim. Eu escolhi te esquecer, mas não escolhi tua presença nos meus sonhos.
A gente destrói e constrói sorrisos e lágrimas todos os dias, com cheiro de alegria, com uma pitada de verdade ou com raiva e dessentimentos. Tem dias que as coisas só crescem, outros que elas só desmoronam. A gente não consegue controlar nada, e essa incerteza é que deixa tudo mais bonito. Essa beira do abismo, esse medo de altura, é tudo incerto, amorfo, inesperado.
"feel it break"
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
tormenta e calmaria
Ela era calmaria. Ela confortava, afagava, amava. Ela dizia o que precisava ser ouvido, estendia a mão do carinho quando vinha a grosseria. Ela botava panos quentes nos gestos frios. Ela lapidava as pontas que habitavam seu peito. Ela não sentia ciúmes, ódio, raiva. Ela desaparecia no meio da multidão. Ela só falava o necessário, para não incomodar. Ela não incomodava, não abalava. Ela era motivo de preocupação, de diminutivos, de abraços sem tesão. Ela era menina e mãe. As mãos na cabeça eram para fazer dormir. O abraço era para confortar o desconforto. O sorriso era para dar confiança. As palavras eram para encorajar. Ela estava disponível, acessível, de coração e sorriso abertos, pronta para fechar os braços ao redor dos seus ombros, pronta para aquecer aquele vazio.
Ela queria ser também tormenta. Ela queria desequilibrar a estabilidade que ela própria causava. Ela queria causar raiva, gargalhada, choro, ódio. Ela queria tempestuar. Ela queria fazer a perna tremer. Ela queria fazer virar do avesso as certezas guardadas na gaveta. Ela queria bagunçar, confundir, atormentar. Ela queria ter ciúmes, ter raiva. Ela queria excitar, provocar. Ela queria ser mulher. Ela queria tocar e desencadear taquicardia. Ela queria que seus movimentos fossem impetuosos, dilacerantes, viscerais. Ela queria tirar tudo da órbita.
Ela queria ser o que eram para ela. Ela queria que quisessem que ela fosse o que ela queria ser.
Ela queria ser também tormenta. Ela queria desequilibrar a estabilidade que ela própria causava. Ela queria causar raiva, gargalhada, choro, ódio. Ela queria tempestuar. Ela queria fazer a perna tremer. Ela queria fazer virar do avesso as certezas guardadas na gaveta. Ela queria bagunçar, confundir, atormentar. Ela queria ter ciúmes, ter raiva. Ela queria excitar, provocar. Ela queria ser mulher. Ela queria tocar e desencadear taquicardia. Ela queria que seus movimentos fossem impetuosos, dilacerantes, viscerais. Ela queria tirar tudo da órbita.
Ela queria ser o que eram para ela. Ela queria que quisessem que ela fosse o que ela queria ser.
sábado, 24 de novembro de 2012
sigo queriendo
Sonhei que a gente ficava outra vez. Sonhei que você segurava minha cabeça entre as mãos e beijava minha testa. Sonhei que dormia no teu peito, que me aninhava no teu colo, que fazia de ti travesseiro. Sonhei que teu abraço me envolvia, que eu fechava os olhos, que a gente permanecia assim um no outro. Sonhei que acordava contigo do meu lado, que a gente divagava durante horas na cama, cobertos, fofinhos, quentinhos. Sonhei que esse dia era interminável, que a gente não tinha fome, mau hálito ou vontade de ir ao banheiro. Sonhei que você gostava de mim o suficiente pra querer fazer isso tudo comigo de novo. E percebi que, no sonho ou não, essa história é balela da minha parte. Percebi que não queria mais ninguém, que era tudo atuação da consciência em busca de distração. E quanto mais eu percebia, mais eu desesperava. Não quero, de novo, ter que dar explicações de coisas que não tenho. Não quero ter que responder por você se nem por mim eu sei dizer. Mas aí aprisionei isso tudo no sonho. Guardei, escrevi, não publiquei, trancafiei, selei e não mandei. Por enquanto eu não preciso contar pra ninguém, eu preciso é descobrir comigo mesma o que fazer - ou o que não fazer. Seria tão mais fácil se você gostasse também de mim :~) O que a gente precisa falar pra pessoa saber que a gente é dela?
terça-feira, 13 de novembro de 2012
palavras dos outros: soneto da mulher ideal
"Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade
Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"
(Vinicius de Moraes)
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
palavras dos outros: nozes
"ela: sua persona online era fofa e romântica e sonhadora mas, na vida offline, era cínica, não acreditava no amor, não queria compromisso.
ele: sua persona online era irascível e mordaz e rabugenta mas, na vida offline, era meigo, doce, queria colo.
se amaram."
ele: sua persona online era irascível e mordaz e rabugenta mas, na vida offline, era meigo, doce, queria colo.
se amaram."
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
6 coisas aleatórias que vou fazer assim que acabar o semestre
1) visitar minha vó
2) comprar plantas novas e fazer uma floreira com ervas.
3) consertar as poltronas lá de casa
4) fazer tatuagens e piercing
5) ler os livros comprados e não-lidos na praia
6) ir no[s] médico[s]
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Ela
Minha mãe sempre foi pra mim, frágil como um passarinho. Eu sempre olhava ela de longe, observava e sentia toda uma delicadeza e fragilidade, uma carência e necessidade de amor de todos os lados. Ela tem as mãos quentes, ela tem um abraço machucado. Sempre vi ela como uma pessoa pra eu cuidar, mais que ser cuidada por ela. Parecia que eu tinha nascido a mãe e que ela precisava de cuidado.
Minha mãe também sempre foi forte. Ela trabalhou duro, sofreu quieta, cuidou das duas filhas, voltou a morar com os pais, fez dar tripas coração, matou cachorro a grito, fez o que podia e não podia pra dar escola boa, sapatos novos, comida, carinho e amor pras duas filhas. Meu pai sempre falava que não sabia nem entendia como minha mãe conseguia fazer o que fazia. Nem eu.
Sempre quis pegar esse passarinho caído do ninho pra cuidar, mas nunca soube como. Sempre quis falar que ela nunca mereceu toda a dor que sentiu, mas nunca soube como. Sempre quis me desculpar pelas coisas mais absurdas e idiotas que a gente faz, mas nunca soube como. Se tem uma coisa que dói em mim é a falta que ela me faz.
Minha mãe cantava pela casa. Foi ela que me fez gostar da Gal, da Bethânia, da Adriana Calcanhoto, da Marisa Monte. Foi ela e a estante de livros de arte dela que me fez devorar e ler sobre Van Gogh, Picasso, Matisse, Frida Kahlo, Tarsila, Volpi. Foi ela que me fez ter vontade de sair da inércia, de trabalhar duro e muito, de querer desde sempre coisas melhores.
Minha mãe sempre foi linda, mas se encolhia na tristeza, dava pra ver. Hoje - e faz algum tempo já - minha mãe é feliz e muito mais linda. Não sei, mas imagino que ela continua cantando pela casa. Que ela continua preparando o café da manhã com frutinhas e iogurte. Que ela continua tomando chimarrão o dia inteiro. Que ela faz pausas pra se alongar de um jeito todo elegante. Que ela passa perfume antes de ir dormir. Tem vezes que eu só queria um abraço. Um colo, que ela fizesse massagem no braço com as mãos quentes. Minha mãe sempre foi pra mim muito do que quero ser.
(escrito no meio de lágrimas, fungadas e olhos borrados de saudades)
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