quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

receitas: carne com quiabo

Quiabo e jiló são dois vegetais altamente injustiçados: são tidos como o uó do borogodó culinário pela maioria das pessoas, causando um imenso preconceito só de se ouvir os ditos nomes. A bem da verdade é que a maioria das pessoas sequer sabe o que e como eles são, que dirá o gosto! A primeira vez que comi quiabo foi quase um experimento gastronômico, mas eu gostei muito. Ele baba um pouco, tem uma textura e gosto específicos e as sementes dão um charme à parte. Desde que moro sozinha e por adorar cozinhar, tenho uma lista de receitas que preciso ou quero aprender a fazer. Carne com quiabo era uma delas. Graças à amiga mineira Camila, deu tudo certo. Então, voilá:



Ingredientes:
- 125g de quiabo
- 150g de carne vermelha em cubos
- 1/2 cebola roxa
- 1 dente de alho
- 1 tomate médio maduro
- orégano, páprica picante e noz moscada para temperar
- sal e pimenta

Como fazer:
Corte as pontas dos quiabos, jogue fora e fatie o restante em rodelas de cerca de 1,5 cm. Frite em cerca de 0,5 cm de óleo até dourar. Atenção: não mexa, senão o quiabo vai babar. Enquanto isso, frite a carne temperada em outra panela. Quando o quiabo estiver pronto, misture com a carne e tampe a panela (em fogo médio, para não queimar ou secar). Aproveite o óleo do quiabo para dourar o alho, a cebola e refogar o tomate. Cozinhe durante uns 5 minutos, até que o tomate comece a desmanchar. Junte isso à carne com quiabo. Misture pouco ainda para o quiabo não babar, prove o sal e deixe ferver por mais uns 5 a 10 min, até o quiabo estar macio e o tomate bem cozido. Pronto! Sirva com arroz branquinho.

sábado, 19 de janeiro de 2013

dos ônibus: bonitinha pero ordinária

eu, sonolenta e levemente doente, um pouco febril talvez, sentadinha no banco mais alto do ônibus. uma mocinha loira de olhos claros senta do meu lado, se mexe um tanto demais (o suficiente para que eu notasse), mas eu perco a atenção porque estou com sono. fecho os olhos e cochilo. acordo com a mesma mocinha falando ao telefone "oi, amiga, tudo... aham... você tá em cas...? ah, não, eu...". como eu tava sem fone, fui obrigada a ouvir que a mocinha estava decepcionada com seu namorado. ele é muito individualista, ela repetia para a amiga Amanda. acho que a mocinha sequer sabe o que individualista significa. ela estava completamente irritada e havia discutido com o menino porque ele ia para uma festa com seus amigos sem ela, porque ele ficou irritado que ela não quis ver ele no único dia que ela mesma havia dito que poderia vê-lo antes de viajar e porque, de acordo com ela, em nenhum relacionamento você pode e tem a liberdade de fazer e sair com quem quiser. claro que ela ter saído com as amigas e mentido sobre onde ia dormir pra não ver o menino não conta, aliás, ela se divertiu contando que ele ficou puto com isso. minha vontade foi cutucar a mocinha loira e dizer "gata, seu namorado não é individualista. você que é uma selfish bitch que não gosta mais dele e tá tentando culpar só ele pelo fim do relacionamento de vocês". porque ela também não cansou de repetir que não queria uma pessoa assim do lado dela, que ninguém queria, e que se ele não mudasse, ela ia terminar com ele.

e é assim, minha gente, que as mocinhas loiras de olhos claros quebram o coração dos mocinhos por pura incoerência. e depois reclamam que não tem homem bom no mundo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

6 metas não-tão-aleatórias-assim para cumprir em 2013

 
1. menos vida virtual, mais vida real. (leia-se tentar dar mais atenção aos amigos)

2. ler mais que em 2012.

3. andar mais de bicicleta (ir pro trabalho, inclusive).

4. tomar água (e não é nem tomar mais água porque eu não tomava).

5. três viagens: porto alegre, montevidéu e rio.

6. voltar a ser organizada.

sábado, 5 de janeiro de 2013

livros de 2012

Lá em janeiro passado eu pensei "esse ano não vou fazer metas, vou ter uma lista de livros pra ler". E fiz a lista, que ficou imensa. De 23 livros, li 4 e meio: meio porque tô na metade só agora de Mi pais inventado, da Isabel Allende. A maioria dos livros da lista eu não li porque não tive tempo, a outra eram livros que eu achava que ia precisar ou me ajudar no projeto de graduação e no meu artigo, mas necastibiribas, mudou tudo (como sempre muda). Mas eu li uns livrinhos (inteiros, porque pela metade são mais uns 8) esse ano, então vamos lá:

1. One Day, David Nicholls ★★

2. Praticamente Inofensiva, Douglas Adams  ★

3. Orgulho e Preconceito, Jane Austen ★★★

4. A Linguagem das coisas, Deyan Sudjic ★★★★

5. Preciosas coisas vãs fundamentais, Sérgio Camargo ★★★★★

6. A felicidade paradoxal, Gilles Lipovetsky ★★★★★

7. A nova arte de fazer livros, Ulises Carrion ★★★★

8. Dom Casmurro, Machado de Assis ★★★★

9.  A visita cruel do tempo, Jennifer Egan ★★★

10. Como funciona a ficção, James Wood ★★★★★

11. Venha ver o pôr-do-sol e outros contos, Lygia Fagundes Telles ★★★★

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

da rua: picolé sabor cigarro


parada ali, esperando o semáforo fechar pra poder atravessar a rua. já molhada, tomando mais chuva. um menino parou do meu lado e eu demorei pra notar porque tava desenrolando o fone de ouvido, pensando na vida, pingos caindo, a blusa prestes a ficar transparente etc. aí notei que o menino tava fumando. ele tinha uns 12 anos, carregava um free no meio dos dedos, dava tragadas rápidas e tossia repetidamente. cuspia a cada três tragadas e duas tossidas. inquieto, ansioso, ele batucava os pés que calçavam um chinelo nas poças que a chuva tinha formado. o sinal abriu, ele atravessou quase correndo, como se um dos carros parados pudesse acelerar repentinamente. eu fui ficando pra trás. ele parecia estar com pressa. ele pára, mexe no bolso e pega um carlton. acende com o resto do free, joga o free no chão sem dúvida nem olhar pra trás e continua andando. um celular na mão, duas tragadas, uma cuspida e ele desata a correr. dois minutos depois minha miopia o perde de visão. ele deveria ter a mesma altura da minha irmã de 11 anos e, ao invés de um cigarro, ele deveria ter um picolé.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

sobre (não) ter controle

As coisas mais bonitas que acontecem na nossa vida são as coisas que não conseguimos controlar. A gente escolhe com quem casar, mas não escolhe por quem se apaixonar. A gente escolhe ter um filho, mas não escolhe como ele vai ser. A gente escolhe dormir, mas não escolhe sobre o que sonhar.

O que dói é que a gente, justamente, não tem controle. A gente queria escolher a pessoa certa, o filho perfeito, o sonho mais bonito. Mas a vida não é assim. O que dói é que a gente também não escolhe se desapaixonar. Vê, eu não escolhi aquelas lágrimas baixinhas que caíram no meu rosto ainda pouco. Também não escolhi gostar de quem não gosta de mim. Eu escolhi te esquecer, mas não escolhi tua presença nos meus sonhos.

A gente destrói e constrói sorrisos e lágrimas todos os dias, com cheiro de alegria, com uma pitada de verdade ou com raiva e dessentimentos. Tem dias que as coisas só crescem, outros que elas só desmoronam. A gente não consegue controlar nada, e essa incerteza é que deixa tudo mais bonito. Essa beira do abismo, esse medo de altura, é tudo incerto, amorfo, inesperado.


"feel it break"

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

tormenta e calmaria

Ela era calmaria. Ela confortava, afagava, amava. Ela dizia o que precisava ser ouvido, estendia a mão do carinho quando vinha a grosseria. Ela botava panos quentes nos gestos frios. Ela lapidava as pontas que habitavam seu peito. Ela não sentia ciúmes, ódio, raiva. Ela desaparecia no meio da multidão. Ela só falava o necessário, para não incomodar. Ela não incomodava, não abalava. Ela era motivo de preocupação, de diminutivos, de abraços sem tesão. Ela era menina e mãe. As mãos na cabeça eram para fazer dormir. O abraço era para confortar o desconforto. O sorriso era para dar confiança. As palavras eram para encorajar. Ela estava disponível, acessível, de coração e sorriso abertos, pronta para fechar os braços ao redor dos seus ombros, pronta para aquecer aquele vazio.

Ela queria ser também tormenta. Ela queria desequilibrar a estabilidade que ela própria causava. Ela queria causar raiva, gargalhada, choro, ódio. Ela queria tempestuar. Ela queria fazer a perna tremer. Ela queria fazer virar do avesso as certezas guardadas na gaveta. Ela queria bagunçar, confundir, atormentar. Ela queria ter ciúmes, ter raiva. Ela queria excitar, provocar. Ela queria ser mulher. Ela queria tocar e desencadear taquicardia. Ela queria que seus movimentos fossem impetuosos, dilacerantes, viscerais. Ela queria tirar tudo da órbita.

Ela queria ser o que eram para ela. Ela queria que quisessem que ela fosse o que ela queria ser.

sábado, 24 de novembro de 2012

sigo queriendo


Sonhei que a gente ficava outra vez. Sonhei que você segurava minha cabeça entre as mãos e beijava minha testa. Sonhei que dormia no teu peito, que me aninhava no teu colo, que fazia de ti travesseiro. Sonhei que teu abraço me envolvia, que eu fechava os olhos, que a gente permanecia assim um no outro. Sonhei que acordava contigo do meu lado, que a gente divagava durante horas na cama, cobertos, fofinhos, quentinhos. Sonhei que esse dia era interminável, que a gente não tinha fome, mau hálito ou vontade de ir ao banheiro. Sonhei que você gostava de mim o suficiente pra querer fazer isso tudo comigo de novo. E percebi que, no sonho ou não, essa história é balela da minha parte. Percebi que não queria mais ninguém, que era tudo atuação da consciência em busca de distração. E quanto mais eu percebia, mais eu desesperava. Não quero, de novo, ter que dar explicações de coisas que não tenho. Não quero ter que responder por você se nem por mim eu sei dizer. Mas aí aprisionei isso tudo no sonho. Guardei, escrevi, não publiquei, trancafiei, selei e não mandei. Por enquanto eu não preciso contar pra ninguém, eu preciso é descobrir comigo mesma o que fazer - ou o que não fazer. Seria tão mais fácil se você gostasse também de mim :~) O que a gente precisa falar pra pessoa saber que a gente é dela?

terça-feira, 13 de novembro de 2012

palavras dos outros: soneto da mulher ideal

"Uma mulher tem que ter
Qualquer coisa além de beleza
Qualquer coisa de triste
Qualquer coisa que chora
Qualquer coisa que sente saudade

Um molejo de amor machucado
Uma beleza que vem da tristeza
De se saber mulher
Feita apenas para amar
Para sofrer pelo seu amor
E pra ser só perdão"


(Vinicius de Moraes)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

palavras dos outros: nozes

"ela: sua persona online era fofa e romântica e sonhadora mas, na vida offline, era cínica, não acreditava no amor, não queria compromisso.

ele: sua persona online era irascível e mordaz e rabugenta mas, na vida offline, era meigo, doce, queria colo.

se amaram."

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

6 coisas aleatórias que vou fazer assim que acabar o semestre




1) visitar minha vó

2) comprar plantas novas e fazer uma floreira com ervas.

3) consertar as poltronas lá de casa

4) fazer tatuagens e piercing

5) ler os livros comprados e não-lidos na praia

6) ir no[s] médico[s]

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ela


Minha mãe sempre foi pra mim, frágil como um passarinho. Eu sempre olhava ela de longe, observava e sentia toda uma delicadeza e fragilidade, uma carência e necessidade de amor de todos os lados. Ela tem as mãos quentes, ela tem um abraço machucado. Sempre vi ela como uma pessoa pra eu cuidar, mais que ser cuidada por ela. Parecia que eu tinha nascido a mãe e que ela precisava de cuidado.

Minha mãe também sempre foi forte. Ela trabalhou duro, sofreu quieta, cuidou das duas filhas, voltou a morar com os pais, fez dar tripas coração, matou cachorro a grito, fez o que podia e não podia pra dar escola boa, sapatos novos, comida, carinho e amor pras duas filhas. Meu pai sempre falava que não sabia nem entendia como minha mãe conseguia fazer o que fazia. Nem eu.

Sempre quis pegar esse passarinho caído do ninho pra cuidar, mas nunca soube como. Sempre quis falar que ela nunca mereceu toda a dor que sentiu, mas nunca soube como. Sempre quis me desculpar pelas coisas mais absurdas e idiotas que a gente faz, mas nunca soube como. Se tem uma coisa que dói em mim é a falta que ela me faz.

Minha mãe cantava pela casa. Foi ela que me fez gostar da Gal, da Bethânia, da Adriana Calcanhoto, da Marisa Monte. Foi ela e a estante de livros de arte dela que me fez devorar e ler sobre Van Gogh, Picasso, Matisse, Frida Kahlo, Tarsila, Volpi. Foi ela que me fez ter vontade de sair da inércia, de trabalhar duro e muito, de querer desde sempre coisas melhores.

Minha mãe sempre foi linda, mas se encolhia na tristeza, dava pra ver. Hoje - e faz algum tempo já - minha mãe é feliz e muito mais linda. Não sei, mas imagino que ela continua cantando pela casa. Que ela continua preparando o café da manhã com frutinhas e iogurte. Que ela continua tomando chimarrão o dia inteiro. Que ela faz pausas pra se alongar de um jeito todo elegante. Que ela passa perfume antes de ir dormir. Tem vezes que eu só queria um abraço. Um colo, que ela fizesse massagem no braço com as mãos quentes. Minha mãe sempre foi pra mim muito do que quero ser.

(escrito no meio de lágrimas, fungadas e olhos borrados de saudades)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

palavras dos outros: medo de você

"— E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarra-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."

(Rita Apoena)

sábado, 3 de novembro de 2012

o problema dela é que ela gostava demais

 O problema dela é que ela gostava demais. Ela gosta demais dele, dela, deles, das pessoas, dos que tratavam bem, dos que tratavam mal, dos que ignoravam, dos que eram importante, dos que nem mereciam tanto assim, dos pseudo-conhecidos, dos pequenos, dos grandes, dos incertos, dos motivos de conforto, das tormentas, da taquicardia e do desespero. Ela gostava demais e, pra não transbordar, usava em altas doses seu amor nos outros. Na verdade, ela drenava o sentimento porque não sabia muito bem como lidar com ele. Ela não sabia se ela gostava mesmo, se ela insistia na possibilidade de dar errado pra fugir da que poderia dar certo ou se não era nada disso. E por gostar demais, ela assustava. Não dava pra acreditar, era de se desconfiar como que alguém gosta tanto assim, tão fácil assim? Onde estão os bloqueios e as amarras? As hesitações e as incertezas? As dúvidas e as lamúrias? O problema dela é que ela gostava demais e, por gostar demais, ela se envolvia demais. Ela precisava de freios pra parar os próprios gostares. Ela precisava respirar fundo pra não se tornar uma tormenta, um desassossego, uma imposição. O problema dela era que ela gostava demais e, por gostar demais, ela não sabia o que fazer quando gostavam dela. Ela só sabia se meter em relações unilaterais, onde todo o gostar viesse só dela, porque ela o tinha de sobra. Toda vez que alguém enchia ela de gostar, ela sufocava, engasgava, transbordava. O problema dela é que ela gosta demais.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

palavras dos outros: Deleuze sobre a fidelidade (ou amizade, ou amor)

"A amizade. Por que se é amigo de alguém? Para mim, é uma questão de percepção. É o fato de... Não o fato de ter idéias em comum. O que quer dizer “ter coisas em comum com alguém”? Vou dizer banalidades, mas é se entender sem precisar explicar. Não é a partir de idéias em comum, mas de uma linguagem em comum, ou de uma pré- linguagem em comum. Há pessoas sobre as quais posso afirmar que não entendo nada do que dizem, mesmo coisas simples como: “Passe-me o sal”. Não consigo entender. E há pessoas que me falam de um assunto totalmente abstrato, sobre o qual posso não concordar, mas entendo tudo o que dizem. Quer dizer que tenho algo a dizer-lhes e elas a mim. E não é pela comunhão de idéias. Há um mistério aí. Há uma base indeterminada... É verdade que há um grande mistério no fato de se ter algo a dizer a alguém, de se entender mesmo sem comunhão de idéias, sem que se precise estar sempre voltando ao assunto. Tenho uma hipótese: cada um de nós está apto a entender um determinado tipo de charme. Ninguém consegue entender todos os tipos ao mesmo tempo. Há uma percepção do charme. Quando falo de charme não quero supor absolutamente nada de homossexualidade dentro da amizade. Nada disso. Mas um gesto, um pensamento de alguém, mesmo antes que este seja significante, um pudor de alguém são fontes de charme que têm tanto a ver com a vida, que vão até as raízes vitais que é assim que se torna amigo de alguém. Vejamos o exemplo de frases! Há frases que só podem ser ditas se a pessoa que as diz for muito vulgar ou abjeta. Seria preciso pensar em exemplos e não temos tempo. Mas cada um de nós, ao ouvir uma frase deste nível, pensa: “O que acabei de ouvir? Que imundicie é essa?” Não pense que pode soltar uma frase destas e tentar voltar atrás, não dá mais. O contrário também vale para o charme. Há frases insignificantes que têm tanto charme e mostram tanta delicadeza que, imediatamente, você acha que aquela pessoa é sua, não no sentido de propriedade, mas é sua e você espera ser dela. Neste momento nasce a amizade. Há de fato uma questão de percepção. Perceber algo que lhe convém, que ensina, que abre e revela alguma coisa."



"As pessoas só têm charme em sua loucura, eis o que é difícil de ser entendido. O verdadeiro charme das pessoas é aquele em que elas perdem as estribeiras, é quando elas não sabem muito bem em que ponto estão. Não que elas desmoronem, pois são pessoas que não desmoronam. Mas, se não captar aquela pequena raiz, o pequeno grão de loucura da pessoa, não se pode amá-la. Não pode amá-la. É aquele lado em que a pessoa está completamente... Aliás, todos nós somos um pouco dementes. Se não se captar o ponto de demência de alguém... Ele pode assustar, mas, quanto a mim, fico feliz de constatar que o ponto de demência de alguém é a fonte de seu charme."

Já sei o que dizer quando me perguntarem de novo "por que você gosta dessa pessoa?!"

✖ O Abecedário de Gilles Deleuze, transcrito todinho. Pra baixar em pdf aqui. ✖

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

6 outras frases aleatórias que levo pra vida

1) "it's hard to take risks with a pessimist"

2) "como siempre: lo urgente no deja tiempo para lo importante" Quino

3) "je decrète l'etait du bonheur permanent"

4) "first things first"

5) "O primeiro passo não é admitir que você tem um problema, mas identificar precisamente como você é um problema para os outros."

6) "sou um velho. sempre fui. sou apenas contemporâneo dos meus amigos" Mauricio Muniz

ps.: as outras 6 frases estão aqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

6 investimentos aleatórios para uma vida melhor


1) combo travesseiro + cama confortáveis.

2) uma cafeteira francesa.

3) matrícula numa aula de natação, pilates ou yoga.

4) uma cadeira de trabalho (pra casa) boa.

5) pantufas confortáveis.

6) passagens de ida.

domingo, 21 de outubro de 2012

sobre são paulo


São Paulo precisa ser amada. Seja pelas padarias, pelos incontáveis shows, pelo metrô, pelas feirinhas de antiguidade, pelo pastel, pelo sanduíche de mortadela, pelos prédios cinza, pelas passarelas gigantescas, pela arte de rua, pelos museus, pela Alameda Lorena, pelos bares, pela Augusta. (e eu preciso ser odiada por não ter tirado fotos dessas coisas)

A primeira vez que fui pra São Paulo, em 2009, me apaixonei perdidamente e estipulei como meta ir morar lá depois de me formar. Ter ido pra lá neste misto de tô terminando o projeto de conclusão de curso versus ainda tenho 3 anos de outra graduação aqui pra fazer me deixou em polvorosa, querendo largar tudo, dizer "foda-se" e ir passear na paulista. Mas, enquanto eu não ponho os pingos nos is da minha vida acadêmica, vou planejando outra visita a essa cidade que conquistou meu coração.

Quem diz que a Oscar Freire é uma rua bonita é porque não conhece a Alameda Lorena. Cheia de árvores, prédios simpáticos, cafés bonitos e, claro, a Livraria da Vila, minha futura casa (rs). Estantes de livro que rotacionam e formam a abertura, um buraco no meio da loja que comunica com a sessão infantil, escadas escondidas e estantes com livros que não acabam mais resumem meu deslumbramento. O Conjunto Nacional é outro amor, porque é lá que está a Livraria Cultura (que eu não consegui entrar porque estava fechada nos dois dias que passei lá). Ainda ali, temos a Rua Augusta, famoso recanto hipster/indie com bares ruins de esquina para beber cerveja no copo americano, cinema alternativo, brechós e lojinhas de roupa. Quase na Paulista (2 quadras pra baixo) tem uma temakeria chamada Koni: toda laranja, preços ótimos, kombos irresistíveis e toda uma simpatia (a pia é lin-da!).

O Centro de São Paulo é um amor sujinho, mas é amor verdadeiro. Seguindo o roteiro do Mac, com o Mac, fizemos o clássico "passar na Velvet CDs (Rua 24 de maio) > descer a rua Capitão Salomão, das lojas de DVDs > comer um sanduíche na Casa da Mortadela (esquina da São João com a Ipiranga)". Quando eu achei que já estava cansada de caminhar, fomos parar no bar/boteco/restaurante Estadão. Digo pra vocês: esse tipo de estabelecimento é bem e tão brasileiro que me dá raiva de não ter aqui em Floripa. Museu da Língua Portuguesa e Pinacoteca sem exposição temporária, só no acervo, me fizeram crer que fui na entre-safra de exposições e coisa e tal (por isso volto fim de novembro). E cinco reais (!!!) depois, show incrível do Wado na Funarte pelo Cidade Sonora (ai, SP, eu te amo!). Depois de várias músicas dos outros CDs além do Samba 808, cheguei em casa querendo ouvir todos e me perguntando porque diabos não tinha feito isso ainda. Depois do show ainda rolou um dos melhores hambúrgueres que já comi na vida (quiçá o melhor) na Hamburgueria do Sujinho (que é muito limpinha, por sinal). Ainda vale lembrar que conheci o Charles Henrique, o cachorro dos irmãos Dias e: que salsicha mais lindo! Dezesseis horas caminhando depois, cheguei em casa com os pés em frangalhos dentro do mocassim dourado.


Domingo era dia de ir na Bienal e no MASP, mas fiquei no sofá vendo friends até ter vontade de sair dali (se arrependimento matasse...). Como sempre, não entrei no MASP porque não ia dar tempo de ver nada (fecha 17h, fuen). Mas a feirinha de antiguidades tava bem bonitinha. Reconheço que a feirinha na praça Benedito Calixto que fui sábado (mesmo que por minutos) me pareceu muito mais simpática e interessante. Depois de uma viagem, andar de metrô até outra cidade e toda uma emoção de quando o carro sai debaixo do chão e você consegue ver a cidade pela janela, cheguei em Tamanduateí. Show da Tulipa Ruiz no SESC Santo André. Só tenho a dizer que foi muito amor. Com intervenções fofas de fãs pelo aniversário dela (que foi dia 19), rolou uma empatia muito grande da Tulipa lá no palco, fazendo gracinhas, toda soltinha. Pra quem recebeu críticas em 2010 no lançamento do primeiro CD porque não tinha postura no palco, ela cresceu e tá ótima. Como ela mesma disse "do CD que eu fiz quando eu era moça". Não duvido. A atuação em Víbora foi algo assim, sem palavras.


 Segunda teve passeio na Liberdade com direito a gritinhos causados pelas fofuras com carinhas de bichinhos em uma das lojas (coisa de japonês), carregamento de algodão doce em pote, suco bombom de uva verde (tem uva inteira no suco), chás chineses (?), biscoito de koala e um lixeiro altamente viado pra minha cozinha. São Paulo amanheceu fresca, com sol, seca. Só pra me fazer sentir mais saudades. Me espera, querida. Logo mais eu volto. E logo um pouco mais eu volto pra ficar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

6 coisas aleatórias que me falaram e me fizeram parar pra pensar

1) "Você é toda assustada, né? No tuiter ce é toda moderna, fala um monte, mas você tem uma postura assustada."

2) "Talvez você não seja organizada, talvez você tente muito ser organizada."

3) "A melhoria do que eu fazia e tu fez abaixo pode desaguar num Antônio Prata. Pas mal, d'accord?"

4) "Com o discurso do bem contra o mal, o mundo fica preto no branco, não sobra espaço pros cinzas."

5) "Uma relação é feita de tijolos: cada um vai colocando os seus. Se só um coloca, não tem como dar certo."

6) "Não é possível que você consiga entender o que eu tô sentindo só pelo meu olhar."

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

palavras dos outros: senhas

"Eu gosto dos que têm fome
Dos que morrem de vontade
Dos que secam de desejo
Dos que ardem..."

Achei tão bonito :)